Identificação e controle biológico de pragas

Atualizado: 11 de Dez de 2018

Ácaro (spider mites), fungs gnat, moscas brancas, afídeos, oídio são apenas alguns dos nomes que causam arrepios as pessoas que se dedicam a cultivar maconha para fins medicinais. Essas são apenas alguns exemplos das muitas pragas que podem atacar o jardim e acabar completamente com o trabalho de muitos meses, ou contaminar as flores, tornando-as sem valor medicinal. Porém, a boa notícia é que existem atualmente muitas formas de controlar ou acabar com esse tipo de infestação.


Prevenção sempre

Planta infestada por ácaros vermelhos, já em avançado estágio de colonização. Ao colonizar a planta os ácaros revestem a superfície com uma teia. Foto Acervo Sergio Vidal

É importante que haja monitoramento periódico para verificar a saúde das plantas e todas as folhas devem ser observadas nas partes de baixo ao menos uma vez por semana. Só assim qualquer tipo de doença ou praga será detectada a tempo de ser aplicada uma solução eficaz. O uso de lentes de aumento é extremamente indicado para poder realmente fazer um monitoramento adequado. Os ovos, larvas e insetos que mais prejudicam a saúde da planta e que mais rápido se reproduzem têm proporções muito pequenas, muitos menores do que 1mm.


Outro fator que deve ser levado em consideração para prevenir de infestações é a higienização frequente do local e o monitoramento da umidade e da temperatura. Se a umidade se mantiver entre 30 a 60% e a temperatura entre 20 e 25 graus se torna mais difícil para as pragas se instalarem por que a saúde das plantas estará perfeita, dificultando o adoecimento. Mas sabemos que essas condições ideais são muito difíceis de serem mantidas, por tanto a atenção deve ser redobrada. Procure comprar uma lente de aumento e monitorar as plantas a cada 2 ou 3 dias, em busca de sinais de ataque de insetos.



Planta infestada por ácaros vermelhos, já em avançado estágio de colonização. Ao colonizar a planta os ácaros revestem a superfície com uma teia. Foto Acervo Sergio Vidal

Também deve ser estabelecidas práticas e higienização que devem ser aplicar todas as vezes que for cuidar do jardim, tais como utilizar roupas limpas, luvas e jamais ir cuidar do jardim após chegar da rua. As plantas em ambiente urbano estão infestadas com muitas pragas que facilmente podem pegar carona em sua roupa, ou em algum animal doméstico como gato ou cachorro. Por isso o ambiente de cultivo deve ser totalmente isolado do ambiente exterior e qualquer manejo deve ser feito após a realização dos cuidados prévios.




Planta infestada por mosca da larva minadora. As manchas brancas são devido a aplicação de beauveria bassiana. Foto Acervo Sergio Vidal
Controle Biológico e Defensivos

Quando falamos em controle de pragas num jardim de maconha medicinal devemos ter em mente que é importante saber escolher qual tipo de defensivo é seguro ou não para ser utilizado. Hoje em dia há uma enorme variedade de produtos que se propõem exterminar uma ou outra praga e, de fato, muitos deles fazem isso, porém poucos são seguros e a maioria deixa resíduos tóxicos.


Por tanto, quando falamos em eficácia no extermínio das pragas não é o que se questiona com relação aos produtos e princípios ativos mais comumente utilizados, mas sim sua segurança para o uso em cultivos destinados ao consumo humano. Na escolha de quais defensivos serão utilizados em um jardim destinado ao uso medicinal é importante garantir eficácia na solução do problema, mas com total segurança para os pacientes que irão consumir as flores e extratos.


Por isso, abaixo, não vamos sugerir um ou outro produto, mas faremos uma compilação numa tabela baseada nos que é sugerido como defensivos seguros em países onde existe regulamentação sobre o cultivo. Vamos então citar apenas os princípios ativos que são utilizados na composição dos produtos.


Alguns são princípios ativos extraídos de plantas ou minerais, outros são organismos vivos considerados benéficos por combaterem as pragas sem atingirem a saúde da planta ou dos pacientes que vão utilizá-las. Portanto, abaixo estão a lista dos compostos ativos seguros para serem usados como defensivos nos jardins de maconha para fins medicinais.


Essa é uma tabela para uso de referência e consulta. Para saber como aplicar os produtos que contêm esses princípios ativos ou agentes biológicos entrem em contato com os respectivos fornecedores.
Receitas Caseiras Contra Pragas

Álcool 70% ou 90/96% (melhor) + ingredientes repelentes = Calda caseira contra insetos

Nessa formulação artesanal usamos o álcool como solvente para extrair os princípios ativos repelentes dos ingredientes escolhidos. Dá pra fazer com variados ingredientes (tabaco, pimenta, cravo, canela, citronela, alho são alguns dos mais comuns). A quantidade é variável. Eu gosto de colocar grande quantidade pra poder diluir pouco álcool em água e já ter a ação repelente. É importante lembrar que o álcool é apenas o solvente que irá carregar os princípios ativos, então quanto mais concentrado o álcool estiver com os ingredientes, menos álcool precisará usar por litro de água, na hora de borrifar as plantas. Você pode usar grande quantidade dos ingredientes em pouca quantidade de álcool, só o suficiente para cobrir os ingredientes, e deixar num frasco fechado por até 1 semana. Se o álcool for 70%, evite deixar por mais que 3 dias, por que ele contém muita água, que pode reagir com a matéria vegetal. É importante filtrar muito bem a matéria usada com um pano, para que não passe nenhum resíduo. Guarde o álcool filtrado em um recipiente limpo. Pronto, agora você poderá usar esse álcool com princípios ativos repelentes diluído em água para borrifar as plantas.


A proporção de diluição também é variável e é preciso testar diferentes concentrações até descobrir o limite de tolerância das suas plantas. Nessa receita da foto foram 300 gramas de tabaco, 40 gramas de cravo, 40g de pimenta do reino e 8 cabeças de alho grandes. Lembrando também que a cada dia que passa o álcool extrai mais os princípios ativos. E quanto mais puro o álcool melhor para extração. Por isso é melhor usar álcool com pureza acima de 90%.


Identificação de Pragas

Uma das maiores dificuldades na prevenção e controle de pragas e o monitoramento e identificação. Apesar de parecer algo simples, uma pequena colônia de insetos milimétricos como ácaros ou moscas brancas podem passar despercebidas por semanas por olhares pouco treinados. Tempo suficiente para se reproduzirem aos milhares. Por isso insisto muito no uso das lentes de aumento e na rotina cotidiana de observação da parte de baixo das folhas. Nessa sessão trazemos algumas fotos do nosso acerto para tentar auxiliar na identificação de alguns problemas comuns no jardim.


Ácaros

Planta infestada por ácaros vermelhos, já em avançado estágio de colonização. Ao colonizar a planta os ácaros revestem a superfície com uma teia. Foto Acervo Sergio Vidal

Planta infestada por ácaros vermelhos, já em avançado estágio de colonização. Ao colonizar a planta os ácaros revestem a superfície com uma teia. Foto Acervo Sergio Vidal

Planta infestada por ácaros vermelhos, já em avançado estágio de colonização. Ao colonizar a planta os ácaros revestem a superfície com uma teia. Foto Acervo Sergio Vidal

Afídeos

Planta infestada com um tipo de afídeo. São muitos os tipos existentes. Foto Acervo Sergio Vidal

Plantas infestadas com um tipo de afídeo. São muitos os tipos existentes. Foto Acervo Sergio Vidal

Planta infestada com um tipo de afídeo. São muitos os tipos existentes. Foto Acervo Sergio Vidal
Botrytis (mofo cinzento)

Flor contaminada por Botrytis. Foto Acervo Sergio Vidal

Mosca Branca

Ovos de mosca branca. É possível retirar manualmente quando estão ainda nessa fase, para diminuir a população. Mas é importante aplicar algum produto de controle. Foto Acervo Sergio Vidal

Planta infestada com mosca branca. Na foto é possível ver casais de moscas brancas, mas a identificação é dificultada pelas manchas brancas do defensivo Beauveria bassiana. Foto Acervo Sergio Vidal

Planta infestada com mosca branca. Na foto é possível ver casais de moscas brancas, mas a identificação é dificultada pelas manchas brancas do defensivo Beauveria bassiana. Foto Acervo Sergio Vidal

Lagarta (larva de borboletas e mariposas)

Lagartas são a fase larval das borboletas e mariposas. Se o ambiente de cultivo for fechado, elas não poderão entrar. Mas se você verificar cotidianamente não precisará aplicar nada, basta remover as lagartas com uma pinça. Se o jardim for grande, ou houver muito infestação, pode aplicar bacillus turigiensis. Foto Acervo Sergio Vidal

Pulgão/Cochonilla


lOídio

lNematoídes

lVírus Mosaíco

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